Renovar a novidade: “Alegra-te, Palmas, Igreja peregrina!”

HOMILIA DA MISSA DA UNIDADE E DOS SANTOS ÓLEOS

04/04/2023

Caras irmãs, caros irmãos, membros do clero, da vida consagrada e do laicato, Tenho Sede!

Faço minha, de memória agradecida, uma das muitas frases lapidares, de São João XXIII, na abertura do Concílio Vaticano II: “alegre-te, igreja peregrina”!

Palmas é uma Igreja jovem, em expansão e em crescimento. A Igreja, como o corpo humano, cresce enquanto é nova. Portanto, Palmas é uma Igreja jovem, nova e alegre. Tristezas existem e muitas, mas as alegrias são maiores. E a nossa maior alegria é sermos uma Igreja peregrina.

Palmas é uma Igreja peregrina, pois, é formada por muitos peregrinos. A começar por mim. Muitos de nós não nascemos aqui.

Palmas é uma Igreja urbana. O mundo urbano é um mundo plural e complexo. Palmas é uma Igreja urbana, plural e complexa: urbanidade, pluralidade e complexidade compõem a logomarca da nossa missão nesta Igreja do meu coração.

O papa Francisco nos propõe uma Igreja em saída e sinodal. E a CNBB nos propõe uma Igreja vocacional: “vocação e missão, pés ardentes, corações a caminho”. Somam-se à urbanidade, à pluralidade e à complexidade, a sinodalidade e a vocacionalidade.

Não são missões fáceis de serem entendias, aceitas e praticadas. Por isto permanecem missão. E o melhor lugar para a missão é onde Deus nos envia e nos coloca. O Papa Francisco não está inventando nada quando nos querer uma Igreja sinodal. A Igreja desde o seu nascimento foi e é sempre uma Igreja sinodal. Não teríamos chegado aonde chegamos, depois mais de dois mil anos, se caminhássemos juntos. Quem não caminhou juntos, dispersa, dissimula, perde a vitalidade, deixa de ser Igreja e morre.

Caminhar é produzir saúde; parar é acumular doenças. Que diga os médicos. Proponho hoje para caminharmos juntos a assinatura, no coração e na mente de um pacto de proteção, em favor da fé e da vida, cujos sinais são a abertura e a disposição para as expansões eclesiais nas expansões territoriais da nossa arquidiocese: a aquisição de terrenos, a criação de novas paróquias ou áreas pastorais missionárias ou ainda outras formas criativas de estar mais perto do povo e de o povo estar mais perto da Igreja.

De novo, dom Pedro. De novo e sempre. Mas isto não é mais novidade. De fato não é, mas como disse o pregador dos exercícios quaresmais a Cúria Romana, cardeal Raniero Cantalamessa: “é preciso renovar a própria novidade!”

Se somos uma Igreja peregrina, vamos peregrinar, queimar calorias e gastar solas de sapatos para crescer juntos com os crescimentos urbanos do nosso povo e das nossas cidades.

Estes cuidados com a proteção da fé e da vida inclui também o cuidado com quem tem fome, como reza a CF-2023. Fome e sede se equivalem e se equiparam. Fome é uma forma de sede e sede é uma forma de fome. Quem tem fome tem sede e quem tem sede tem fome.

Dizem por aí que um dos maiores pecados de um bispo é o pecado de omissão: por medo, por falta de coragem, por conveniência ou ainda por conivência, nos omitimos. Sei que não é fácil o que estou propondo. Talvez nem seja bem compreendido e aceito. Mas se eu não disser isto e não propor isto estou sendo omisso. E eu não quero este pecado.

Parece que não, mas vivemos e trabalhamos em áreas e em situações de riscos. Nem tudo está sob o nosso controle. Que o diga os psicólogos. Vivemos e trabalhamos por meio de relações de poder e de hierarquia, seja de comando, seja de submissão ou de subordinação. Os riscos de perdermos e de estragarmos a vida é eminente. Somos, de fato, todos vulneráveis, carentes e frágeis. Necessitamos todos de proteção e de proteger. Facilmente ficamos doentes. A fé sem vida é morta e a vida sem fé é também morta. Quem não cuida da vida não cuida da fé e quem não cuida da fé tampouco cuida da vida.

E este não é um caminho retilíneo e sem obstáculos o que a nossa Igreja, nova com como a nossa, mas é o que nos faz uma Igreja jovem, alegre e peregrina. Na capa do meu livro que escrevi, intitulado de “Eu também estou doente” eu grafitei um ramo de oliveira, a árvore milenar e curativa. Os óleos que irei benzer, daqui a pouco, são basicamente unguentos para os sacramentos sonantes e curativos. Ele serviram para curar-nos de nossas catividades e debilidades.

As crises econômicas, políticas, culturais, sociais, humanitárias, sanitárias e ambientais, pelas quais passamos, me assustam. Mas, muito mais me assustam a conivência ou a indiferença com as ideologias midiáticas de muitos católicos, até mesmo dentro da própria Igreja também me assustam. Os que odeiam, mentem, roubam, violentam, menosprezam, discriminam, matam e, depois, comungam como se nada fossem, também é escandaloso. Parece normal discriminar, menosprezar e explorar pobres, negros, nordestinos, mulheres, migrantes, homoafetivos e uma série de outras multiformes vulnerabilidades sociais. Mas não é. Não é possível apoiar este estado de coisa. A nossa Igreja está se destruindo com estes tipos de cristãos e com estes tipos de atitudes. Alguém não se lembra que já leu: “Foi dito aos antigos: não matarás. Eu porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘Patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno”.

Somente os “antigos” acham que este evangelho de Jesus Cristo, do qual somos depositários, é uma fábula. Cristãos que deixam de viver a fraternidade, o diálogo e a compaixão deixam também de ser cristãos. O amor, o perdão e a misericórdia são partes essenciais do cristianismo.

São Jerônimo dizia: “a glória do bispo é ajudar os necessitados”. É esta minha glória que gostaria de compartilhar com vocês. É preciso sairmos daqui, desta Catedral, da missa da unidade e da bênção dos Santos óleos, com estes óleos nas mãos, nas mentes e nos corações para ungir este nosso mundo ferido e decaído pelo egoísmo, pela injustiça e pelo pecado.

São estes os meus sentimentos que gostaria de compartilhar com vocês. E término parafraseando o salmo 46: “povos povos todos universo, batei palmas; gritai a Deus aclamação de alegria”.

“Alegra-te, Palmas, Igreja peregrina!” Amém!

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