Palmas: viveiro de serviços pastorais

No dia 20 de maio, Palmas, Capital do Tocantins, completa 34 anos. Certamente a Prefeitura e o Governo do Estado apresentarão suas realizações para celebrar este seu aniversário. Pareceu bem, ao Espírito Santo e a nós (At 15,28) também, apresentar os nossos serviços pastorais, em prol do bem material e espiritual da população desta cidade. Afinal, Palmas é viveiro de serviços pastorais.

São Pedro, em um versículo de sua primeira Carta, diz que “somos pedras vivas, para formar um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecermos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Pd 2,5). Somos, de fato e de direito, estas pedras vivas e não mortas, na construção da tessitura da cidade terrena e da cidade de Deus. A sabedoria e a revelação bíblicas dizem que Deus ama, cuida, protege e habita nas cidades (Sl46,6; 47,9; 48,1; 87,1-7; 122,1-4; 127,1). Babilônia, a cidade pervertida, corrompida e pecadora, é contraposta a Jerusalém, a cidade redimida e fiel, morada de Deus com o seu povo (Ap18 e 21).

Sem mérito algum de nossa parte, somos a primeira Igreja a chegar e se instalar aqui em Palmas. As outras igrejas chegaram e se instalaram depois. Desde 33 anos, somos aqui presença, parceira, protagonista, memória e profecia. Embora não valha nada, deveríamos ter o título de “Igreja Primaz de Palmas”. Esta nossa primazia, mais do que privilégio, é responsabilidade social e missionária. Quem aqui chegou primeiro deve ser a primeira em serviços caritativos, educativos, ecológicos, culturais e em cuidados materiais e espirituais. No coração desta cidade somos pedras vivas, por meio de uma Igreja Sinodal, de comunhão, participação e missão.

Como diz o Padre Libânio, a cidade possui as suas lógicas (ou não). E estas lógicas impactam a fé; e a fé impacta as lógicas da cidade. É que, no mesmo território de uma mesma cidade, atuam, até em concorrências, diversos atores sócio-cultural-religiosos. Enquanto Igreja Católica, como um desses atores, temos uma folha corrida de serviços prestados, em diversas áreas, a esta cidade e aos seus habitantes. É bem verdade que Palmas, através de seu povo e de seus gestores, nos prestam muitos serviços.

Apenas a título de amostragem, durante o tempo em que durou a pandemia da Covid-19, através de ações da Cáritas, da ASAP (Ação Social Arquidiocesana) e da Fundação Semear Liberdade, realizamos atendimentos eventuais, tais como cestas básicas, kits de higiene e de limpeza; doação de roupas e gás de cozinha, em torno de 12.760 famílias, com um investimento de R$ 1.350.170,80. Apoiamos as famílias da agricultura familiar com doações de sementes de cereais, legumes e hortaliças, combustíveis para a preparação do solo, num investimento de R$ 53.000,00. Adquirimos alimentos da agricultura familiar de oito entidades associativas e Cooperativas para confecções de cestas básicas, em torno de mais de R$ 600.000,00. Através do Projeto Ombro Amigo, atendemos a 163 pessoas em situação de depressão, ansiedade e outras doenças mentais. Através do Projeto Caminhos de Solidariedade, atendemos a 300 famílias com cartões e vale-alimentação, pelo período de 3 meses, num investimento de R$ 99.000,00. Pelo Projeto Dar de Comer a Quem Tem Fome atendemos a 400 famílias, por 3 meses, com cestas básicas. Através do Projeto Educando com Arte, atendemos a 120 adolescentes por ano. Através do Projeto Casa de Marta, atendemos, por ano, a 20 adolescentes grávidas, num investimento de R$ 200.000,00, nos últimos 2 anos. E, por fim, através do Projeto Cordas e Canções, atendemos a mais de 80 adolescentes, a cada ano, com aulas de música, violão, violino e computação, num investimento de R$ 100.000,00.

Sem, contudo, contar com as ações sociais, feitas pelas paróquias, pelas pastorais e pelos movimentos. E também sem contar com ações estritamente religiosas: formativas, educacionais, catequéticas, pastorais, evangelizadoras e missionárias. Lembrado que evangelizar é promover as pessoas e as cidades. A evangelização não é um castigo, uma ameaça e nem uma perda para ninguém. É um ganho para todos. Além do mais, santificamos e embelezamos esta cidade com bonitas Igrejas, entre elas a nossa Catedral, animadas festas e festejos e belas celebrações litúrgicas. De vez em quando ouço este tipo de elogio. Somos também cobrados e criticados quando, às vezes, fazemos por merecer; mas também somos elogiados quando merecemos.

Estamos realizando, nestes dias, um mapeamento, quase como uma espécie de Laboratório, com diagnósticos e prognósticos, de nossas presenças e de nossas ausências nos tecidos sócio-culturais das periferias desta cidade. Fazer este tipo de Laboratório não se constitui tarefa fácil, mas também não é impossível realizá-lo. Além de ser preciso. Queremos retomar, com novo ardor e com novo vigor, as nossas presenças nas expansões territoriais de Palmas e das outras dez cidades que compõem o território da Arquidiocese. Precisamos regularizar nossos terrenos, adquirir outros, construir casas, igrejas, salões paroquiais, comprar carros e ser presença eclesial nos novos setores. Queremos estar onde o povo está. É de Jesus este mandato missionário: “ide!” (Mc 16,15; Mt 28,19). Para isto precisamos ter recursos, sentar e conversar com os gestores públicos, municipal, estadual e federal, e com os empresários dos ramos urbanísticos e imobiliários.

Pouco conhecido e até mesmo desconsiderado é o Artigo 14º do Acordo Brasil-Santa Sé que diz o seguinte: “A República Federativa do Brasil declara o seu empenho na destinação de espaços para fins religiosos, que deverão ser previstos nos instrumentos de planejamento urbano a serem estabelecidos no respectivo Plano Diretor”. Queremos fazer valer este Artigo, não para gozar de privilégios e de imunidades. Muito pelo contrário. É decorrência do reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica, pelo Estado Brasileiro, conforme o Artigo 3º deste mesmo Acordo.

Neste mês de maio, também, a Arquidiocese de Palmas aniversaria (31/05). É mais uma feliz coincidência a ser comemorada. Portanto, como dissemos, somos viveiros de serviços pastorais, quais pedras vivas e não pedras mortas desta cidade. Vamos embalar estas comemorações com esta canção que compus para esta cidade e para esta Arquidiocese: Sou mais Palmas! Sou mais Palmas! Coração aberto para amar! Coração aberto para acolher! Coração aberto para celebrar! Coração aberto para agradecer! Sou mais Palmas! Sou mais Palmas!” (cf. letra e áudio no meu blog: https://dompedrobrito.com.br/musicas/). Parabéns, Palmas, cidade verde, que sempre lhe quero mais verde. “Povos todos, batei palmas; aclamai a Deus com um cantos jubilosos” (Sl 47,2).

 

Dom Pedro Brito Guimarães

Arcebispo de Palmas – TO

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