JESUS CRUCIFICADO, MODELO DE VIDA PARA A FORMAÇÃO SACERDOTAL

Homilia na abertura das atividades formativas e posse dos novos formadores do Seminário Interdiocesano Divino Espírito Santo, com base na primeira leitura (Dt 39,15-20) e no Evangelho (Lc 9,22-26). 

 

Caríssimos irmãos bispos, padres, formadores, professores, servidores e seminaristas,

 “É feliz quem a Deus se confia (Sl 1,1sss)!”

O versículo 22 (Lc 9,22) é o suprassumo, o resumo e a síntese da vida e da missão de Jesus: o Mistério Pascal: paixão, morte e ressurreição. Breve Cristologia. E nos versículos seguintes (Lc 9, 23-26) encontra-se um suprassumo, um resumo ou uma síntese da vida cristã, seminarística e sacerdotal. É o cristianismo breve. O coração da vocação sacerdotal. Os dois caminhos – vida e a felicidade, a morte e a desgraça da primeira leitura, por indicação de Moisés.

À luz destes textos bíblicos proclamados na Liturgia da Palavra do primeiro dia da Quaresma, depois das cinzas, oferecerei os preceitos, os decretos, as leis e os mandamentos, na forma de Decálogo para a formação sacerdotal:

  1. Encontro pessoal com Jesus crucificado. Ser cruz, tocar na cruz, contemplar a cruz: “Ele morreu por mim”. Ter a paixão e a compaixão como regra de vida seminarística. Elas estão no coração da vida e na missão sacerdotais, desde a formação inicial, até a formação permanente: o seminarista, como o sacerdote, já no período da formação é o homem crucificado e consumido na cruz e pela cruz.
  2. Apoio, escuta, presença, atenção, vigilância diárias, testemunho, boas práticas, para carregar a sua cruz e seguir a Jesus. O seminarista como o sacerdote é o homem que precisa ser apoiado e consolado, para apoiar e consolar os irmãos e irmãs.
  3. Projeto Formativo integral e específico que contemple a educação, a formação do coração. O seminarista como o sacerdote é homem que para crescer na sua vocação, precisa seguir e possuir um projeto de vida doada.
  4. Cuidar, sobretudo, das crises, da solidão, das fugas, dos desânimos, das desistências e das doenças mentais, próprias do mundo moderno e secularizado. O seminarista como o sacerdote é o homem curado de suas feridas e crises, para ajudar a curar e a cuidar das crises dos outros.
  5. Experiências de casa, em estilo sinodal: caminhar, ir brincar, estudar, rezar, viver, trabalhar, servir juntos. Sínodo não é retórica e campanha; é a essência da Igreja, performática e programática. O seminarista como o sacerdote é o homem sinodal.
  6. Conversação Espiritual, escuta-ativa: uns à escuta dos outros e todos à escuta do Espírito Santo. O Espírito Santo é o padroeiro do Seminário e dos seminaristas. Escutar os sonhos, os ideais, as frustrações, os acidentes de percursos, os projetos de vida, as crises, os perrengues, as dores e as feridas dos seminaristas, próprios do seu tempo. O seminarista como o sacerdote é o homem de conversas e de escutas de suas vidas, de suas feridas e de suas crises.
  7. Apostar no protagonismo dos seminaristas. Toda formação é autoformação. O papa Francisco indica três caminhos para este protagonismo: a alegria de estar com Jesus; a alegria de pertencer a uma igreja específica; e a alegria da generalidade intelectual, espiritual e pastoral. O seminarista como o sacerdote é o homem, protagonista de sua vida, da sua formação e da sua missão.
  8. Fortalecer a amizade social e a fraternidade (CF-24) para a inteligência afetiva. Leitura do Texto Base da CF-24. O melhor amigo de um seminarista ou sacerdote é outro seminarista ou sacerdote. O sacerdote é o co-irmão de outros sacerdotes. A ordenação imprime este caráter.
  9. Ser criador, autor e produtor e não somente influenciador, consumidor e divulgador de coisas alheias. O mundo é dos criativos. Comunicar-se diariamente, constantemente e continuamente. Usar a internet e as redes sociais para a formação presencial-virtual-interativa. Nenhum dia sem palavras. O seminarista como o sacerdote é o homem da palavra amiga.
  10. Alargar as tendas. Ser peregrinos de esperança: a começar pela oração: Ano da Oração (Papa Francisco). O seminarista como o sacerdote é o peregrino, de esperança em esperança.

Eis, pois, a vida e a felicidade, a morte e desgraça da vida no Seminário.

 

É feliz quem Deus se confia!

 

Tenho sede!

Dom Pedro Brito Guimarães

Arcebispo de Palmas – TO

Palmas, 15/02/2024

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