20 anos de Episcopado: memória e gratidão

“Hoje minha alma decanta, bendiz e

louva o Senhor por tantas coisas bonitas

que ele fez em meu favor!

 

Quero iniciar esta nossa conversa familiar (homilia), por ocasião dos meus 20 anos de ordenação episcopal, me reportando ao que está narrado em Gn 1, 5.8.13.19.23.31, na contagem sucessiva do tempo: “houve uma manhã, uma tarde, uma noite, um dia. E Deus viu que tudo era muito bom! Na minha vida episcopal houve também uma manhã, uma tarde, uma noite, um dia…. E já são 20 anos. E Deus viu que tudo era muito bom.

Embora possa ter acontecido coisas não boas e nem bonitas, ao longo destes 20 anos, confesso, hoje eu quero apenas me recordar as coisas boas e bonitas que Deus fez em favor deste seu humilde servo. A começar pela festa litúrgica que celebramos hoje: a Exaltação da Santa Cruz. A cruz de Jesus é a sua vida doada por todos. A sua cruz é um serviço, muito mais do que um suplício ou do que um sacrifício. O martírio de Jesus é um serviço. A cruz de Jesus é o mistério da fragilidade para o ministério das fragilidades.

O meu também. É sobre esta ótica que eu vejo a cruz no meu ministério episcopal. A minha cruz é também a minha vida. A minha cruz é o meu serviço e o meu ministério também. Na minha cruz eu me encontro com a cruz de Jesus. Nelas nós nos encontramos, nós somos e nos movemos.

Quando penso nos meus 20 anos de episcopado eu me pergunto: por que Jesus me chamou a este ministério? O que ele viu de especial em mim? E o que ele me disse?

Certamente nunca saberei exatamente. Nem sei mesmo se gostaria de saber. Este é o mistério, o silêncio e o segredo de Jesus, guardados a sete chaves. Uma coisa, no entanto, eu sei: quando Jesus chamou os 12 apóstolos, diz o evangelho que ele passou a noite inteira em oração. Então eu me pergunto: quantas noite mal dormidas Jesus deve ter passado para me chamar?

Embora eu não saiba, como disse antes, o porquê Jesus me chamou, até onde a memória e a fé alcançam, a missão para a qual ele me chamou e me chama eu sei: para eu morrer, depois da sede, saciado. Ter sede está no meu DNA existencial, vocacional, episcopal. Jesus me chamou para eu reverberar uma de suas mais dramáticas e existenciais palavras: “tenho sede!”

Sede é sonho, é desejo, é vontade, é querer, é desidério, é desiderata. Jesus morreu de vida. Jesus morreu de sede. A sede O fez agonizar, inclinar a cabeça e gritar: “tudo está consumado!” Saciar-se é o mesmo que morrer. Depois de saciado Jesus morreu.

Eu também só quero morrer quando estiver saciado. Morrer saciado, como Jesus, é a minha missão, a minha grande missão, a minha nova missão. Quando então saciado, morrerei. A rigor, eu não tenho sede. Eu sou a própria sede. Eu sou sede! A minha missão é a minha sede. E a minha sede é a minha missão.

Termino, como o salmista (Sl 50,11), pedido a Deus que “crie em mim um coração que seja puro, que me dê um espírito decidido e que nunca retire de mim o seu Santo Espírito”. Sedento, saciado para saciar.

Estas minhas sedes são por vocês e para vocês, a quem os amo de todo coração.

Memória e Gratidão! Que assim seja!

 

Dom Pedro Brito Guimarães,

Arcebispo de Palmas

Palmas, 14/09/2022

Festa da Exaltação da Santa Cruz,

20º aniversário de minha ordenação episcopal

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